quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Intrínseco


Estar em Jesus não é uma condição, é um destino. Estar “em”, e não “com” Ele faz dessa relação algo muito mais profundo do que um “estado de espírito”, mas é uma vida “no” espírito. É intrínseco, é como uma mistura homogênea, na verdade é mais ser do que estar.

A co-relação traçada pelo próprio Jesus a respeito da videira e seus ramos aponta para um desejo Dele mesmo de uma relação onde as convenções não determinam os valores, mas essa vivência entre Ele e eu, eu nEle e Ele em mim, feitos da mesma substância, compostos da mesma essência.

Jesus é o potencial para as virtudes que ainda não tenho. Viver Nele é a evidência de que eu passei de um lugar a outro, que saí de uma condição para outra. É o abandono da condição burra de estar preso em si mesmo (imperfeição) para ligar-se nEle (perfeição). A obediência ao EU é escravidão, a obediência a Ele é liberdade.

sábado, 2 de setembro de 2017

Transformar a realidade do povo Sanumá mudou a vida de missionário

Mimica em momento de descontração com a comunidade Sanumá (Reprodução do Facebook)


Desde 1991 vivendo no leste de Roraima, Mimica é nacionalmente conhecido pelo intenso e positivo relacionamento com a cultura indígena

Por Larissa Mazaloti

Ademir Santos Silva, 53 anos, natural de Itacaré, Bahia tem no seu currículo, além de boas histórias, pelo menos vinte malárias contraídas desde 1991 quando foi morar no meio dos Sanumá, uma etnia indígena do leste de Roraima. O povo Sanumá cuja língua é um subdialeto dos Yanomami tornou-se a família de Mimica, apelido pelo qual Ademir é conhecido em todo o Brasil. Mimica conheceu a esposa - mãe de seus dois filhos – Lucelene, em uma de suas idas para cidade para tratar a malária, que segundo ele, era um dos poucos motivos que o tiravam da tribo naquela época.
Reaproveitando material dos 'brancos',
um dos indígenas adpatou
os cipós para confeccionar
seu par de sandálias. (Arquivo Pessoal)

Mimica participou de duas escolas de treinamento em 1990, sendo uma delas voltada para estudos e vivência na área de Linguística. Ele conta que ao final do tempo teórico, quando uma equipe se preparava para ir até a tribo indígena, por conta de sua falta de habilidade com os métodos práticos ele ficou encarregado de fazer o que se chama de promoção social, ou seja, cuidar de tudo para que os linguistas fizessem o trabalho de campo. Mas com a convivência entre os Sanumás, em três meses de relacionamento na comunidade, Mimica já conseguia se comunicar o suficiente. “Um dia falando em uma reunião entre eles, perguntei se eles entendiam o que eu estava falando, um deles se levantou e disse: ‘evidente que estamos entendendo, pois você está falando em nossa própria língua’, e me faz lembrar a passagem bíblica de Marcos16:17 que diz: ‘Falarão novas línguas’”, relembra.  Com menos de seis meses Mimica traduzia para as equipes de saúde da Funasa e pregava nos cultos. Isso aconteceu e mudou a história dele e daquela tribo porque ele garante que Deus deu a capacidade de falar a língua daquela nação (cada etnia indígena no Brasil é considerada uma nação). “Tudo isso aconteceu porque meu coração estava disposto a servir”, afirma.
Indígenas Sanumás. (Arquivo Pessoal)

A realidade do missionário Mimica é bastante diferente de tudo o que se considera como objetivo de vida na sociedade. Segundo ele, no início acostumou tanto com a cultura dos indígenas que quando precisava sair da tribo mal conseguia falar o português, mas que hoje entende que é momento de compartilhar mais sobre as experiências que tem. Por isso ao passar pelo Paraná visitou algumas bases da organização Jocum (JovensCom Uma Missão) e contou sobre seu estilo de vida. Além da Jocum, a família Silva também está ligada a Meva (Missão Evangélica da Amazônia).
Momento de culto de Santa Ceia dos Sanumás.
No lugar do pão, o beiju. (Arquivo Pessoal)

Decisões que mudam tudo  

“Diante das decisões tomadas em um determinado momento é preciso ter consciência das responsabilidades que elas trazem”. Isso é o que Mimica defende ao relatar que em 1990 quando estava na tribo indígena com uma equipe, os demais decidiram ir embora e ele optou por ficar. “Quando você toma uma atitude, e se responsabiliza, alguma coisa tem que acontecer, lá na frente terá que continuar decidindo para dar continuidade”, diz.

Indigenas com seus certificados
de conclusão do curso de liderança.
(Arquivo Pessoal)
Citando um versículo bíblico que diz que se um grão de trigo cair na terra e não morrer não vai dar fruto ele compara como tem que ser a vida de quem quer andar na contramão do que todo mundo costuma pensar e fazer. “Se não morrer para os próprios desejos interiores, não vai frutificar. Quando decidi abrir mão do tipo de pensamento da minha cultura, e aprender viver a cultura daquele povo, aflorou tudo o que Deus queria realizar na minha vida e na deles”, comenta.

Mimica é consciente que estar disposto a transformar a vida de outras pessoas que precisam, automaticamente muda a própria vida dele. “Quando pensamos só em nós mesmos, ao fazer algo pelo outro pensamos que estamos perdendo, que nosso retorno é ficar triste, mas servir faz com que eu receba muito mais do que imaginava”, conclui.

Parece cena de filme, mas não é

Entre muitas histórias que viveu, Mimica conta de uma em que alguns policiais estiveram na área indígena na qual ele morava e servia. Ele lembra que são duas horas para chegar com um avião bem pequeno nessa região de Roraima, e que nem ele nem os indígenas perceberam que pousou um avião com esses homens. Os indígenas chamaram Mimica para falar aos militares do Exército que havia quatro homens diferentes rondando a comunidade, pois os indígenas não falam português, então os policiais “entenderam” que Mimica estava tentando atrapalhar a missão que eles estavam realizando, e isso foi o motivo principal de sua prisão, apesar do bom relacionamento com todos do quartel, e mesmo assim eles resolveram cercar a casa da família de Mimica, armados e entraram na casa, pelos quais fizeram várias acusações e o levaram preso.

“Quando se pintam de vermelho os indígenas estão em paz, mas quando se pintam de preto estão prontos para a guerra com seus arcos e flechas, e foi assim que eles planejaram cercar o quartel onde fui preso, mas antes que isso acontecesse, mas muitas pessoas estavam orando e o resgate que os Sanumás estavam planejando graças a Deus não foi necessário”, detalha. Mimica diz que depois dos fatos acontecidos, em uma conversa com um dos líderes daquela tribo, disse que os policiais poderiam ter atirado neles. “A resposta dele para mim me mostrou que eles estavam muito mais dispostos a morrer por mim do que eu por eles, e eu entendi o quanto valia a pena ajudá-los a cuidar da saúde do povo, viver na cultura deles, ensiná-los coisas novas e bons princípios para suas vidas”, conclui. O processo contra Mimica foi arquivado, e após cinco anos recuperou seus R$ 300 pagos na fiança.
Sanumás diante de uma bíblia em sua própria língua e do Proclaimer,
um aparelho que reproduz em áudio
o Novo Testamento no idioma
que é um subdialeto dos Yanomami. (Arquivo Pessoal)
Reconhecimento


Duas das mais influentes missionárias da Jocum confirmam o respaldo de Mimica por sua vida de dedicação e trabalho em meio ao desconhecido. A linguista Márcia Suzuki, que hoje vive com a família entre os Navajos - uma tribo indígena norte-americana – foi professora dele em uma escola de treinamento transcultural em Porto Velho. “Super inteligente e engraçado, mas com poucos anos de escolaridade, sofreu um bocado para aprender linguística. No final do curso tivemos uma semana de projeto de aprendizagem de línguas e foi aí que ele se revelou. Em poucos dias estava falando a língua Nadeb melhor do que todos os colegas. Mímica tem um dom natural para comunicação, um coração enorme, e é radicalmente obediente ao Senhor”, afirma Márcia.
 Edna Gaspar também está fora do Brasil com sua família há alguns anos, morando em Nova Zelândia ela trabalha com os nativos Maori e também demonstra reconhecimento. “Amigo querido, saudades desse herói”, escreveu ela em uma rede social ao ver uma foto de Mimica.


domingo, 27 de agosto de 2017

Vida comunitária: um desafio diário vivido por missionários

Apesar das diferenças, parece que a maioria tem mais pontos positivos do que negativos para contar

Por Larissa Mazaloti, Viviane Nery, Caleb Walace / GNI Brasil


 Em muitas culturas ao redor do mundo, a vida em comunidade é parte principal da característica da população. Mas especialmente no ocidente, essa não é a opção mais desejada pelas pessoas. No sul do Brasil por exemplo, o individualismo e a independência são elementos do cotidiano, principalmente dos grandes centros e de suas regiões metropolitanas.
Treinamentos atraem jovens para
a vida em comunidade
 (Foto: CM Jocum/Facebook)

 Em Almirante Tamandaré, cidade localizada há pelo menos 20 minutos do centro de Curitiba, capital do Paraná, há um local onde a realidade é outra. Uma das bases de trabalho da organização missionária Jocum(Jovens Com Uma Missão) tem atraído jovens dos mais variados estados brasileiros para participarem de treinamentos de até seis meses em regime de internato, dispostos a enfrentar diferenças climáticas e culturais.


  O carioca Yohan conta que viveu um choque cultural porque no Rio de Janeiro as pessoas são mais abertas. “No Rio dá para chegar em qualquer pessoa zoando. Aqui o pessoal é educado, mas é fechado”, observa. Ele também fala que só nos últimos dois dias foi possível usar seu par de chinelos. Segundo ele, a diferença de temperatura do Rio de Janeiro para o Paraná é grande. Já Moisés, de Fortaleza (CE) conta que para conviver com pessoas tão diferentes é preciso renunciar muitas coisas. “Vivência em comunidade é um bagulho sério, mano”, brinca sobre a intimidade. Para o Bahiano Raniel, o mais brincalhão dos três, uma das dificuldades é a saudade de casa. “A convivência as vezes dói”, revela e afirma que isso está moldando o caráter dele.

 Algo que não falta quando pessoas estão reunidas é comida. Para isso a Jocum Almirante Tamandaré terceiriza o serviço de cozinha e com isso, ao trabalhar nesse setor, pessoas de fora, acostumadas com suas rotinas comuns em suas casas com suas famílias também estão mudando suas opiniões sobre viver de forma comunitária. É o caso de Lucas, o único homem da cozinha e afirma que já enfrentou preconceito por isso. Apesar de ser cozinheiro gastronômico, depois de enfrentar uma situação difícil aceitou a vaga de auxiliar e demonstra estar muito satisfeito com o trabalho. “Depois que eu entendi o tipo de vida deles e passei a ter também um vínculo com Deus como eles, minha vida mudou profissionalmente e na família”, afirma.  Darci, que veio do Pará e já viveu a experiência de uma escola de treinamento da Jocum diz que da cozinha consegue aconselhar os mais jovens por causa da experiência que ela teve em comunidade. Teresa é auxiliar eventual nos finais de semana. Mesmo com menos contato ela garante que a vida dela é outra, que ela tem aprendido muito. A equipe da cozinha destaca que a vida espiritual deu um salto quando se depararam dentro de um estilo tão diferente de vida.

Pessoas de diferentes locais
do Brasil vivem
como família
(Foto:Reprodução Facebook)
 Voluntários, homens e mulheres de várias idades que já passaram por escolas e hoje trabalham integralmente na organização, inclusive morando na base missionária chegam a dividir moradia com até outras oito pessoas. É o caso de Camila, que veio da Bahia. Quando conversamos com ela, estava desenformando um bolo recém-saído do forno, e contou que com tantas mulheres há uma disputa de espelho e banheiro, mas que é divertido estar junto. Ana Paula, do Amazonas e Larissa, de São Paulo moram com mais uma colega e relatam que as situações do dia a dia desafiam o comodismo, e até mesmo a culinária de cada uma, mas segundo elas, isso vale a pena. “Aprendemos uma com a outra”, afirma Larissa. Elas não escondem a amizade e o clima de bom humor entre elas na casa. “No começo era esquisito, tivemos que adaptar, principalmente na cozinha”, diz Ana Paula.

 Até mesmo quem não está acostumado a uma convivência tão intensa, ao experimentar isso por alguns dias chega até a pensar em viver dessa maneira. É isso que está acontecendo com Viviane, que veio da Bahia para um final de semana na Jocum. Ao participar do workshop GNI e Jornalismo, ela diz que apesar de conviver com pessoas, o fato de uma reunião tão grande de jovens é o diferencial. “Toparia viver uma vida assim. Acho muito interessante, apesar de saber que com marido e filhos seria uma mudança radical”, analisa Viviane.

 A Jocum está espalhada em mais de 180 países, cada base, apesar de manter o DNA da organização pode ser encontrada com diferentes características de acordo com a cultura local ou que predomina lá. Mas algo que não muda é esse convite a uma vida comunitária que pode gerar muita reflexão antropológica, afinal, como costuma refletir uma das líderes pioneiras de Jocum, Maria Helena: “o ser humano é sem fim e sem explicação”.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Tá pago!


Imagine que um homem emprestou dinheiro para outros dois homens. A um deles emprestou R$ 50 e a outro, R$ 500. Mas os dois acabaram se enrolando nas contas, assim como acontece com a maioria das pessoas, e falo por experiência própria, e não conseguiam pagar. Um dia o homem que emprestou resolveu perdoar a dívida dos dois, tanto o R$ 50 quanto o R$ 500. E a grande pergunta é: qual dos dois teria ficado mais agradecido? O que ficou livre da dívida de R$ 50 ou de R$ 500? Se eu devesse os R$ 500 sem dúvidas eu ficaria muito mais aliviada e grata. Mas e se nenhum dos dois homens pudesse ser perdoado?
Há uns dias atrás tive a oportunidade de conversar com um muçulmano e pude tirar algumas dúvidas com ele a respeito de como a crença deles vê certos “pontos de vista”. Soube por ele que Jesus seria um dos cinco maiores e mais importantes profetas do islamismo, que ele teria sido arrebatado por Deus em carne e osso e portanto, para os islâmicos não houve cruz, não houve ressurreição e Jesus de forma alguma seria o filho de Deus e muito menos o próprio Deus na terra. Também descobri que o Alcorão – livro que para eles é equivalente a bíblia sagrada para os cristãos católicos e protestantes – afirma que um homem que “parecia” com Jesus foi crucificado, mas que teólogos afirmam que o crucificado teria sido Judas (?).
Mas, por já saber que não havia uma consideração muito diferente a respeito de Jesus, o Cristo por esta religião, o que mais me fez refletir foi o fato de que concordamos, assim como outras religiões e mesmo a ciência pode afirmar, de que o ser humano é limitado, mortal, falível em todos os sentidos e necessita de algo que o possa livrar das consequências que tamanhas limitações podem causar. Na maioria das religiões esse algo são leis morais, ou outros meios que possam ajudar a humanidade a de alguma forma evoluir, tornar-se melhor. No islamismo, compreendi – na minha total ignorância – que as leis do Alcorão, adoração a Alá os rituais de oração cinco vezes ao dia direcionado para Meca produzem no homem essa evolução, fazendo com que ele um dia chegue a merecer o paraíso.
Também refleti que a divergência entre cristianismo e islamismo são dois fatos principais, inadmissíveis aos islâmicos: que Jesus e o Espírito Santo entrem na jogada formando um único Deus trino: pai, filho, espírito santo (três pessoas em uma só) e a questão de que todos os erros da humanidade recaíram sobre um só homem. Este último ponto, na visão islâmica tiraria a responsabilidade individual tornando a vida fácil e cômoda aos que creem que Jesus Cristo morreu pelos pecados da humanidade e pagou toda a dívida.
Religiosamente poderia ser considerada a falta de entendimento a respeito da trindade, com o não reconhecimento de Jesus como sendo Deus e poderia até dizer que não acreditar na cruz – símbolo maior do cristianismo – parece ofensivo. Mas, de forma cristã sou obrigada a me compadecer intensamente de uma vida que está baseada no que o próprio homem pode produzir de bom, mesmo reconhecendo a própria limitação intelectual, moral, espiritual e por isso, ter de viver a constante frustração de não ser suficiente, de não atingir o padrão necessário e por isso temer diariamente o destino de não merecer o paraíso. Ao mesmo tempo, conviver consigo mesmo acreditando ser capaz de merecer, enchendo-se de uma arrogância sem medida por atrair para si todo o mérito de alcançar o céu, achando-se responsável apenas por si mesmo.
Ao contrário do comodismo, um cristão que se preze vive à duras penas a tentativa de depender apenas da graça – favor imerecido – de Deus, e lidar com a realidade de que é incapaz até mesmo de orar de forma correta, de receber o perdão de Deus tendo de engolir a soberba e o orgulho para reconhecer tamanha miséria humana. Mas ao mesmo tempo vejo o privilégio de submeter-se – talvez sem conseguir ter tanta devoção quanto os islâmicos – a um Deus que promete aliviar o fardo do cansados, que garante que nada do que se possa fazer de bom ou de mau vai mudar quem Ele é ou pode atrair salvação, mas que ao contrário disso, pelo Deus humilhado que foi manifesto em Cristo na cruz com a herança de pecados de uma humanidade inteira é possível uma saída, uma chance, uma esperança. A remissão dos pecados de todos em um homem não traz comodismo, mas gera constrangimento a uma vida mais piedosa, sendo que como conhecemos que o justo viverá pela fé, a salvação gera boas obras e não ao contrário.

Paulo diz, em 2 Coríntios 1:20-21 que todas as promessas de Deus, todo o sim e todo o amém estão em Jesus Cristo. Sem Jesus, apenas dependendo do bom andamento da vida de cada ser humano, Deus seria obrigado a falhar porque nenhuma das promessas poderia se cumprir, pois ele precisaria ser justo, e toda promessa é carregada de condições. Em Salmos 103 a bíblia diz que Deus age como um pai que conhece seus filhos, pois conhece a estrutura de cada um, “somos pó”. Todas as condições não alcançadas pela humanidade foram sanadas em Cristo, para que de forma justa Deus – o soberano – pudesse ser um Deus de palavra. Por causa de Cristo a glória está no Pai e não em mim.

domingo, 19 de março de 2017

O coração condena

Dentro e fora das igrejas, cristãos ou adeptos de qualquer outra crença, praticantes de Yoga, xamãs, holísticos, budistas, ou seja, lá o que for, há pessoas que buscam tornar-se alguém melhor. Existe, de alguma forma, uma consciência do que realmente somos. E sabemos que não é bom.
Há muitas coisas que podem me convencer e convencer aos outros de que não tenho nada com Deus - que também dentro e fora do cristianismo, de forma geral, acredita-se que é a fonte da bondade e da paz -, e são muitas as evidências que podem dizer a todos que não conheço a Deus.
As minhas atitudes, os meus erros, a maneira como falo e até pelo que não falo expressam a ausência de Deus na minha vida.
Mas contra tudo o que se possa negar a Deus em mim há uma coisa que contesta todas as outras: o fato de que amo o outro. Quando apesar de minha natureza toda errada há em mim o amor ao próximo, então Deus aparece através da minha vida e é capaz de redimir e reparar todos os fatores que o negam em mim.
As bíblia diz que meu coração, baseado em minhas emoções e nas culpas construídas através delas, vai com certeza me condenar e gerar dúvidas a respeito da minha identidade – de quem eu sou – e a mesma bíblia diz que o que sou é filha de Deus. Na primeira carta de João ele afirma que Deus é maior do que o meu coração que me condena, e diferente dos enganos do coração, Deus conhece a verdade.
João afirma que a maior prova de amor que recebo do Pai é ser chamada filha e garante “E nós o somos”, por isso, ao mesmo tempo o maior dano que posso sofrer é essa dúvida que desperta um personagem órfão, solitário, rejeitado. E é este dano que comprova a necessidade da unidade com esse Pai ou, em outras crenças, esse “Ser Superior”, “Força Cósmica” ou qualquer outra coisa que tentem nomear, porque o sentimento de não pertencer a Ele, ou a “isso”, de não ser adequado pode me enlouquecer, me ferir a ponto de que eu decida paralisar e me autodestruir.
Mas eu reforço o ponto que João defende sobre essa problemática: Deus é maior que o coração que me condena.


Base: 1 João 3:1 / 1 João 3: 18,19.20

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

2 anos

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No dia 6 de fevereiro de 2015 eu chegava em Almirante Tamandaré, uma cidade da região metropolitana de Curitiba, da qual nunca antes ouvira falar. Era uma manhã de segunda-feira, meu filho João Felipe estava comigo, empolgado com algo que hoje imagino, ele nem sabia do que se tratava. Há oito meses eu havia me rendido ao amor de Cristo por mim e ele, por consequência entrou nesse barco, no qual não poderia mais carregar nada do passado, aos poucos esse barco se distanciava cada vez mais de qualquer porto onde eu havia estado, e o João Felipe comigo. Confesso que eu mesma não fazia muito ideia do que viria pela frente.
Tinha um monte de malas, mas havia deixado para trás um apartamento montado, para onde sempre pensei que voltaria depois dos 5 meses que se iniciavam ali. Deixei possibilidades de empregos e o domínio sobre as atividades em minha área profissional, o jornalismo. Deixei a certeza de um salário certo no final de cada mês para depender de uma igreja e de pessoas, algumas inclusive cujo rosto nunca vi pessoalmente. Mas além de um monte de malas eu tinha agora um monte de rostos, idiomas, costumes, e uma rotina totalmente voltada a conhecer a Deus, e por ser isso inevitável, conhecer a mim mesma.
Nenhum texto alternativo automático disponível.Como diria Ney Matogrosso: rompi tratados, traí os ritos. Já havia cantado muitas vezes essa música com o sentimento de rebeldia que me moveu por muitos anos por uma louca ilusão de liberdade e amor, em que eu lancei minha vida nos poços mais fundos. Mas agora, a mesma frase passava a fazer outro sentido... o de romper tratados que fiz com o meu ego alimentado pelos elogios ao meu bom desempenho profissional e intelectual, e com o meu passado de frustrações e carências, atribuindo a ele a derrota particular que vivia e culpando as pessoas que mais me querem bem por ter descido tão baixo e já não discernir mais luz de escuridão. Tratados com relacionamentos afetivos, dos quais me tornei dependente, fazendo de pessoas meus deuses, suplicando por presença e fidelidade, refém da insegurança e do sentimento de inferioridade e nos quais exerci todo tipo de manipulação porque precisava ser amada a todo custo. Traí os ritos das noites de drogas e bebidas que me convenciam de que eu era alguém inadequada que somente em estado letárgico de embriaguez e chapação total poderia ser eu mesma, poderia agradar e me enquadrar nos grupos dos quais eu sonhava fazer parte.
Pensando nisso, vejo que deixei muito pouco que valesse a pena para trás. Não encontro mérito próprio algum na decisão que tomei, mas só consigo ver a cruz de Jesus Cristo e sobre ele todos os meus erros e pecados e nela a única possibilidade de viver.
Após tropeços no novo caminho, como uma criança que cai, envergonhada e machucada em busca de um colo, eu encontrei novamente a cruz. E nela eu resolvi de uma vez por todas me pregar para morrer com Cristo, e tendo assim a única possibilidade de viver com Ele. Estou integrada em uma base missionária onde trabalho voluntariamente com três expoentes: o treinamento e discipulado de pessoas e nações, o evangelismo como ferramenta de que todos tenham a chance de ouvir sobre Jesus Cristo e o ministério de misericórdia como meio de transformação social, educacional, econômica de comunidades que necessitam de assistência nesse sentido.
Ontem eu participei da quinta formatura na Jocum / Universidade das Nações, e neste último treinamento eu aprendi a estudar a bíblia por um método que tem como principal objetivo deixar de lado todo romantismo e ilusão de adequar a Palavra de Deus ao que penso, sinto, sofro ou me alegro. Mas ao contrário, embasar cada minuto de cada dia no que a Palavra diz. Longe de toda fragmentação eu pude olhar para a profundidade e integridade de textos que dizem exatamente o que dizem e não o que eu imagino ou desejo que diga. E eu creio que entro no terceiro ano como missionária pela fé em Cristo mais firme, mais disposta, mais realista acerca de tudo e de mim, mais consciente de minhas limitações – e são inúmeras – e completamente dependente de Deus em tudo. Que Ele me supra, que Ele me justifique, que Ele me santifique, que Ele me limpe.
Esse texto não é uma auto-declaração de renúncia, sofrimento ou martírio. Porque o que dou a Deus é muito pouco, é uma miséria diante do amor com que Ele me ama. Mas é uma prestação de contas com muita gratidão ao que têm caminhado comigo, orado, torcido, enviado energias positivas, os que aguentam meus posts nas redes sociais sem ainda terem me bloqueado, os que me mantêm financeiramente: é pelas mãos destes (no que incluo minha família), que como, me visto, assisto TV, faço um passeio na linda Curitiba, viajo para cursos, pago e escola do meu filho, compro para ele coisinhas gostosas, tomo banho quente, tomo um remédio, uso internet e até abençoo outras pessoas. Mas esse texto é também para dizer que cada dia eu tenho certeza que ainda que tudo isso seja tirado de mim, e se até mesmo a saúde não for suficiente, Deus é bom, fiel e digno da minha vida, e sem exagero, totalmente digno da minha necessidade e até morte.
Se você quer conhecer melhor sobre a bíblia, sobre missões ou simplesmente bater um papo, eu quero servir você. Como você pode me encontrar:

Whatsapp: 41 996615471

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Livro que Transforma Nações

Resumo do Capítulo 4 – Avivamento ou Transformação escrito durante minha Eted em 2015.

Será que os crentes estão dispostos a viver realmente aquilo que eles aprendem como verdade? Será que é possível ir além da euforia das igrejas e suas programações de final de semana? Nesse capítulo Loren foi muito claro. Se há dúvidas a respeito do que estamos vivendo ou daquilo que desejamos, agora está claro. Ouvimos tanto sobre o avivamento. Pastores e líderes orando por avivamento em suas igrejas e esse avivamento até acontece, mas e aí? Loren explica o que não é difícil de compreender, mas sem revelação ficamos mesmo no escuro. O avivamento é um período de tempo, de euforia, sinais de milagres e da forte sensação da presença de Deus. Ele chega a relatar que as pessoas mal conseguem seguir suas rotinas por causa do quanto estão cheias do poder de Deus. As pessoas em massa aceitam Jesus, se encantam com o mover de Deus, mas são tempos com começo e fim. E depois? Quando o avivamento acaba? É aí que começa a transformação. Crentes avivados precisam transformar realidades, aplicar no seu trabalho, escola, família aquilo que os avivou, que é a Palavra de Deus. Segundo o texto o que precisamos é organizar nossa vida com base na bíblia, renovar nossa mente conforme Romanos 12:2. E agora, o que mais faz sentido para mim é que o avivamento seguido da transformação é uma revolução! Somos “Revolumissionários”.
John Wesley é o foco central deste capítulo 4 porque ele é a prova de que é possível essa Revolumissão. Ele vivia na Grã-Bretanha e viu pessoas buscando uma vida melhor, mas tornando-se escravos nas indústrias. Homens, mulheres e crianças eram submetidas a longas jornadas de trabalho com salários muito baixos. Não hava ninguém que olhasse para eles e esta situação. Havia fome, alcoolismo, tuberculose e as favelas estavam superlotadas com esgoto a céu aberto. As crianças não iam para a escola e já com 5 anos faziam serviços nas indústrias, como o de juntar lixo nas confecções. Engatinhavam por baixo das mesas,  das máquinas em movimento e por causa disso ocorriam acidentes que resultavam em mutilações e até morte.
Nessa fase a igreja confortava os ricos e se negava a enxergar o que estava acontecendo porque estavam agarrados a uma teologia e a um Deus que ficou à parte da humanidade. E John Wesley não era nenhum super espiritual. Ele e seu irmão era da Igreja Anglicana e faziam parte do que chamavam de Clube Santo, em que disciplinavam oração e leitura da bíblia. Ficaram conhecidos pelo método disciplinar como Metodistas. O interessante é que ainda assim Weslei tinha dúvidas sobre sua salvação, mas houve um momento em que ele sentiu claramente que Cristo havia perdoado seus pecados e o salvou. Tudo mudou para ele, que começou a pregar a integridade do evangelho e espalhava que não bastava apenas a salvação da alma, mas o corpo, a mente e o ambiente precisavam ser transformados. O jovem conhecido pela disciplina de ler a Palavra de Deus empenhou-se na melhoria do atendimento de saúde, no combate a escravidão, na luta por liberdade civil e religiosa, contra a exploração dos pobres e reivindicava direitos trabalhistas. Com Robert Raikes, inspirado em Weslei nasceram as escolas dominicais para crianças operárias e outros ainda tocados pela atuação de Weslei trabalharam com asilos, orfanatos, hospitais doentes mentais e nas cadeias. John Weslei esteve ligado a luta pela emancipação das mulheres, direito a Educação de qualidade para elas e a defesa de que elas eram espiritualmente iguais aos homens com direito a ter seus ministérios, como foi o caso do Exército da Salvação.
E Loren destaca que tudo isso aconteceu quando um homem teve seu coração aquecido pelo amor de Deus.